O tédio atingia-o de maneira fuminante. Confuso o por quê disto. Do tédio. Não há clareza se isto é um estado de espiríto que infligimos a nós mesmos ou se é uma situação que acabamos por nos encontrar em determinado momento. Ele não sabe o por quê de não fugir disso, de simplesmente pôr-se em ação, movimento. Ao invés, ele apenas reflete sobre a vida, suas nuances; na verdade, apenas percebe o máximo que consegue captar no auge de sua juventude.
Percebe que está perdendo a poesia. Aquele algo que via na vida, um espectro diferente. Essa visão era apenas um véu, uma camada; não para embelezar os fatos, para fugir de ser incisivo, por mais que o pareça. Era para ser único no olhar que lançava por sobre a realidade. Um modo de expressar-se. Porém, enquanto o tédio reina, ele a procura.
Poderia, caso o encontrasse, avisar-lhe? Caso visse o lirismo perdido? De já, um coração vazio de poetismo agradeceria eternamente.
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