sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Jussara e ele

Os pés de Jussara a levaram até o parque. Os pés de Jussara a levaram até ele. Seus lábios dirigiram uma mensagem para ele, como fizeram uma vez.
Quando ele ligara para ela. Estou morrendo de saudade de ti, ele disse. Aquela mesma voz amorosa, ao telefone, era a mesma que dissera para ela não ver mais "aquela sua amiga machorra".
A mesma voz que disparara xingamentos aos outros amigos dela, que a fizera afastar-se de quem ela gostava, que a fizera odiar ele, intensamente. Os lábios de Jussara expressaram através do telefone, 'Tá', olha, eu quero falar contigo.
Agora alí estava ela. Seus olhos enacarando a face dele. Seus olhos tentando alcançar os olhos dele, que estavam encobertos pelos óculos.
-Não dá mais! Eu quero que tu saía da minha vida. Não quero que a gente se veja mais.
Antes ela estava receosa com qual poderia ser a reação dele. Sua mente disparava volta-e-meia perguntas. Como falar isso? Calma, tu és forte; uma mulher forte. Como dizer para a pessoa que tu ama, que não quer mais ela?
Os olhos de Jussara observavam a sua reação; ele não falara nada. Apenas sua voz saltava, um pouco engasgada. Não, eu não quero.
"Ai, meu Deus", a mente dela gritara. Seus lábios dispararam, Tu estás chorando? Ele se virara, Não, não tô. Um sorriso escapou dela. 
Assim, espontâneo. As palavras cortantes voltaram a ser pronunciadas por seus lábios: Mas eu preciso. Já chega disso. Eu quero começar de novo. Na paz. Tá certo?
Ele a observava; o escudo negro de plástico que escondia seus olhos não diziam nada. Então, tá. Eu... Eu... Tá, tá. Eu, eu vou embora.
Sem mais palavras. Os pés dele o levaram para longe de Jussara. Os dela a levaram para a liberdade. Livre da barreira que aquele laço a impedia de cruzar. 
Agora, Jussara anda rumo ao destino desconhecido... 
Consegue vê-la logo alí?

Nenhum comentário:

Postar um comentário